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Entrevista: Vereador André Eloy fala sobre seu novo projeto político e diz que governo de Dr. Jean frustrou as expectativas da população

Publicada em 12/04/2015 ás 06:15:11
Foto: Anderson Bella / Mídia Recôncavo

André Luiz Eloy Costa, 42 anos, é filho de José Firmo Costa (em memória) e da educadora Therezinha de Jesus Eloy Ferreira Costa. Seus irmãos são Tadeu Alexandre e Ana Flávia. Casado desde 2002 com Camila Moura. Pai de Braian Luiz, Maria Luiza, André Luiz Segundo e o anjinho José Luca. Formado em Técnico Agrícola pelo Colégio Estadual Alberto Torres (CEAT), porém atua como Instrumentador Cirúrgico. Na área de saúde prestou serviços em diversos Hospitais da Bahia. Começou a trabalhar aos 14 anos de idade, dividindo sua juventude entre os estudos, trabalho e o lazer. Destaca-se a sua experiência profissional como atendente de enfermagem no Hospital Nossa Senhora do Bonsucesso (Santa Casa de Misericórdia – Cruz das Almas) de 1992 a 1998, onde ganhou conhecimentos profissionais e fez grandes amizades. Ingressei na Câmara Municipal em 2005, aos 31 anos com 1027 votos, André Eloy era conhecido apenas como profissional da área de saúde. Filho da Professora Therezinha Eloy e sobrinho da Professora Antonia Eloy, logo ele mostrou que seria mais uma revelação política da Legislatura na Câmara Municipal. No primeiro mandato a influência política de André Eloy cresceu principalmente por conta da destacada atuação que ele teve notadamente voltada aos serviços de saúde oferecidos aos munícipes, reivindicando melhorias e apontando com isenção os principais problemas do governo municipal, se tornando um dos críticos da administração. Em 2008 foi reeleito, com a histórica votação de 1661 votos pelo PMDB. Foi o único vereador reeleito no pleito, além do mais votado. Nas eleições de 2012, consolidado como uma das principais lideranças políticas do município, repetiu o feito de ser o mais votado, suplantando até a sua votação anterior com 2241 votos.Licenciou-se da Câmara de Vereadores e assumiu a Secretaria Municipal de Saúde entre Janeiro de 2013 e Outubro de 2014. Retornou as atividades parlamentares em Novembro de 2014.

 Confira trechos de mais uma entrevista EXCLUSIVA do Mídia Recôncavo:

André, você é especulado como candidato ao Executivo Municipal, em 2016. Existe mesmo essa possibilidade?

Há conversações que estão caminhando para este curso. Sim, existe. A população de Cruz das Almas merece conhecer um modelo de administração política que não esteja diretamente vinculada a Orlandinho e a Dr Jean, pessoas que governaram a cidade por mais de vinte anos. Entende-se que há um desejo emergindo da maioria da população cruzalmense por um nome novo na política de nossa cidade. Compreendendo a necessidade desta questão, estamos em conversação a fim de conceder uma possibilidade de darmos um tempo nesta alternância de poder entre estes nomes que completarão duas décadas de controle da cidade.

Qual o diferencial deste novo projeto político que você inicia?

Caso as conversações caminhem para a indicação de meu nome como candidato a prefeito visualizamos, deste modo, um projeto político que busque promover uma oxigenação na forma de fazer política e governar a cidade. Vivemos uma fadiga. Não que os dois políticos que se alternam na prefeitura há 20 anos não tenham contribuído para o desenvolvimento do município. Ambos tem a sua parcela de contribuição, mas a cidade precisa de uma nova experiência que seja capaz de mudar a forma de fazer política e administrar. Todavia, apesar de antagônicos, as pessoas que administraram Cruz das Almas nestes vinte anos tem características que um faz lembrar o outro, sobretudo, na centralização de poder.

Quais seus aliados nesta nova caminhada?

 Entende-se que a construção de um projeto político demanda muita articulação e intensos diálogos entre os políticos envolvidos, técnicos em administração pública e a própria sociedade que deve ser inserida nesta construção, enquanto fator primordial do governo. Assim, as conversações que estão ocorrendo buscam dialogar com os setores que almejam e desejam uma nova maneira de governar tentando, com isso, construir uma sólida base de apoio que visualize o engrandecimento da cidade. Assim, alguns partidos, lideranças políticas e comunitárias, civil e universitária estão envolvidos neste projeto.

Importante frisar que este modelo de diálogo que está se desenvolvendo em busca de uma Cruz das Almas diferente se funda e se horizontaliza em minha carreira de vereador. Nas últimas duas eleições fui o vereador mais votado da história de nossa cidade. Isto se remete no intenso diálogo que mantenho com a sociedade. Assim, em reconhecimento aos serviços prestados tanto como vereador como secretário de saúde, venho recebendo apoio de inúmeros setores, inclusive um dos entusiastas dessa caminhada é o deputado estadual Pedro Tavares, meu amigo pessoal, que obteve uma votação expressiva no nosso município nas eleições de 2014 e tem nos representado muito bem na Assembléia Legislativa da Bahia.

Quais suas prioridades (metas) para o município, diante das necessidades percebidas perante a população?

O grande desafio da gestão pública é torná-la eficiente, racionalizando os escassos recursos públicos, através da sistematização de um controle interno, buscando a melhoria contínua do serviço público municipal com a redução drástica da contratação da mão de obra temporária, a reformulação da estrutura administrativa do município, reduzindo o numero de secretarias e investindo na qualificação dos servidores. Outro ponto a ser destacado é a melhoria da qualidade do ensino público municipal, devido à baixa avaliação que o nosso município amarga com um IDEB médio 3,62 bem abaixo do projetado que é de 5,1 proposto pelo MEC até 2021. A saúde do nosso município precisa de uma atenção especial, pois a obrigatoriedade de se investir 15% na saúde não é o suficiente para prestar um serviço de excelência, no entanto vamos tornar mais eficiente o sistema de arrecadação própria do município como forma de compensar tais deficiências. Precisamos dialogar francamente com a população excluindo as promessas que não poderemos cumprir, no entanto não faltará esforço e empenho. Neste sentido iremos buscar parcerias junto ao governo estadual e federal a fim de auferimos recursos para que possa ser investido em nosso município,no intuito sempre de oferecermos qualidade de vida para nossa população.Vamos fazer um governo de acordo com os anseios da nossa sociedade. Com uma efetiva participação popular.

Como aproveitar melhor o potencial de uma universidade federal no município?

O papel da universidade é justamente promover a formação de profissionais que busquem exercer atribuições a fim de melhorar e desenvolver as condições de sobrevivência da sociedade. Entendendo que esta se constitui uma das plataformas de atuação da universidade, compreendo que o município deve estreitar os contatos com este espaço intelectual de formação de ideais, a fim de melhorar as condições de nossa cidade. Assim, dentre as conversações que vem ocorrendo em busca de um novo projeto político para Cruz das Almas, estamos construindo alternativas de inserção dos núcleos de pesquisa pertencentes a universidade na realidade cruzalmense. Todavia, as conversações se encontram ainda em desenvolvimento.

Após sua saída do governo municipal, você retorna a Câmara Municipal de Vereadores. Como encontrou essa Casa, após sua experiência como secretário?

É preciso desmistificar essa campanha depreciativa contra a atual legislatura. O legislativo municipal na atual conjuntura política, não só em nossa cidade, mas de maneira geral, é um espaço muito desgastante para o político. Como não somos ordenadores de despesas (exceto o presidente da câmara), nem tão pouco podemos apresentar projetos que gerem despesas para o município, temos uma atuação muito limitada. Paralelo a isso, o vereador é o político mais próximo da população. Não encontramos com tanta facilidade os prefeitos, deputados, senadores, governadores e presidente. Já os vereadores a todo instante tem demandas populares para resolver. Por isso a cobrança é tão grande. Temos bons quadros na atual legislatura. O que precisamos é parar com a disputa política mesquinha. Tenho dito nas minhas intervenções no parlamento que existe uma eleição semanal para eleger o prefeito da cidade. Se o atual ou o ex-prefeito. A câmara precisa se debruçar em uma agenda mais propositiva. Nesse ínterim, eu e o vereador Elias de Gogó criamos de forma pioneira a bancada independente na Câmara Municipal dizendo não ao tradicional sistema político de situação ou oposição. A nova política nos permite essa posição de independência onde poderemos nos manifestar com coerência contrariamente ou a favor quando necessário.

Quais suas principais ações e metas nessa nova fase?

Consolidar o nosso projeto, aglutinar valores e elaborar uma estrutura administrativa capaz de organizar e melhor gerir a nossa cidade.Neste sentido estamos fazendo uma ampla discussão com vários segmentos da nossa sociedade.

Qual sua avaliação sobre a gestão de Edson Ribeiro junto a Câmara de Vereadores?

Os políticos entram na história pelos seus feitos. A reforma do plenário feita por Edson Ribeiro escreveu o seu nome na história do legislativo municipal. Ficou muito bonito. Edson conseguiu a façanha de ser o primeiro presidente reeleito daquela casa e espero que seja o último, porque sou contra a reeleição. A fática emenda da reeleição recebeu o apoio de todos os vereadores. Foi unânime. O que de certa forma demonstrou um retrocesso da casa legislativa diante da necessidade de uma reforma política no cenário atual.

Você ganhou destaque no cenário político cruzalmense e baiano, através da sua obstinada atuação na Câmara de Vereadores, em oposição ao governo, na época. Qual a importância dessa fase em sua vida pública?

 Sou apaixonado pelo legislativo. Ali (a câmara) é a minha maior faculdade. Durante os últimos dez anos fui autor de mais de trezentas proposições, destacando-se o pacote ético, leis como exemplo: a criação do Conselho de Ética da Câmara Municipal de Cruz das Almas, a diminuição das férias dos vereadores que passaram de 90 dias anuais para 45 dias, além disso, aboliram-se, a remuneração por ocasião de sessões extraordinárias, e o fim do voto secreto. Após grandes lutas, a câmara aprovou também a lei anti-nepotismo, uma conquista para Cruz das Almas. E estou muito motivado com esse retorno. Após a criação da pioneira bancada independente juntamente com o vereador Elias de Gogó, estamos dando equilíbrio nas decisões da casa. 


"Encontravam-se sem atividade o IPER, inclusive a UTI e o Ambulatório"

Qual sua avaliação em seus 21 meses em que esteve à frente da Secretaria Municipal de Saúde?

Foi uma experiência incrível. Muitos acharam que seria uma loucura deixar uma exitosa experiência na câmara para assumir uma secretaria tão problemática, todavia, aceitei o desafio e sempre repito: Que tipo de homem eu seria se não tivesse aceitado esse desafio? Saída gestão municipal de cabeça erguida. Como sempre fiz em toda a minha vida, mergulhei de cabeça. Todavia, dentro de uma infinidade de serviços temos um financiamento muito inferior às necessidades. Os repasses constitucionais e os recursos próprios do município são muito importantes. O limite mínimo de investimentos municipal em saúde é de 15%. Esse valor durante o tempo que estive na gestão oscilou em torno de 15% a 17%, somente. Imaginem a luta para cumprir todas as promessas de campanha e se afastar do estelionato eleitoral com quão pouco dinheiro? Setores que controlam o governo justificavam a baixa arrecadação do município, no entanto, esse foi um dos motivos de desentendimentos constantes entre eu e governo. Iniciamos a gestão sem qualquer informação sobre o funcionamento dos programas e serviços. Encontravam-se sem atividade o IPER, inclusive a UTI e o Ambulatório. As Unidades de Saúde da Família funcionavam precariamente. Não havia estoques e suprimentos para funcionamento de um só dia de serviço. As equipes não estavam completas e as que existiam estavam desmotivadas, os índices de saúde do município não eram compatíveis com o grau de importância do município. A gestão anterior nos informou sobre a existência de Restos a Pagar da ordem de R$ 1.065.299,92 (Um milhão e sessenta e cinco mil, duzentos e noventa e nove reais e noventa e dois centavos) de Serviços de Média e Alta Complexidade e R$ 86.482,92 (Oitenta e seis mil, quatrocentos e oitenta e dois reais e noventa e dois centavos) de serviços da Atenção Básica. Desde o início da gestão, as despesas de pessoal e as contribuições previdenciárias impactaram sobre a Contabilidade do Fundo Municipal de Saúde. Em regra, o montante recebido pelo Município de financiamento sempre foi inferior às necessidades da gestão e da população. Mesmo assim, fizemos muito. Os investimentos nos servidores municipais e o olhar especial pela saúde deste município, tão desprezada pela gestão anterior, foram as principais bandeiras. Em apenas 21 meses, garantimos dentre outros indicadores a ampliação da cobertura da Estratégia de Saúde da Família para 75%, que era de 64% até 2012.O Ambulatório Municipal foi totalmente reformado com oferta de 30 especialidades e mais alguns serviços. As cirurgias eletivas que não eram realizadas passaram a ser serviço regular do IPER. Chegamos a realizar entre 2013 e 2014 cerca de 1800 procedimentos cirúrgicos, número inédito na história da saúde deste município. Levamos médicos para todas as comunidades rurais e algumas urbanas de nossa cidade.Fomos forçados a por, enfim, em funcionamento a UTI. Para reabrir o Hospital Municipal de Cruz das Almas, no São João 2014 o prefeito se compromissou com repasses da ordem de 20% da arrecadação do município, mas que não se confirmaram até a minha saída.

O país enfrenta um processo turbulento. Manifestações ocorrendo, queda na popularidade da presidente, alta nos impostos. Como você vê essa época de instabilidade? Na sua opinião, quais motivos desencadearam tal fato?

 Não entendo como instabilidade, mas a abertura da caixa preta para a sociedade. E esta, com a ampliação do conhecimento,está requerendo os seus direitos e espaço dentro da sociedade. Desta forma, compreendemos que o modelo político que a sociedade reclama é justamente um que possibilite dialogar com a própria sociedade escutando seus anseios e necessidades. Assim, partindo de minha trajetória política onde sempre busquei ouvir os reclames e as necessidades da sociedade, vejo este momento político como engrandecedor para o desenvolvimento da democracia.

Após sua saída do governo municipal, qual sua relação com o atual prefeito, de quem, aliás, você foi sempre aliado?

 Até aqui tem sido uma relação de respeito mútuo, até pela história que possuímos. Divergimos apenas no campo ideológico e projetos políticos. Tivemos dois encontros institucionais na Câmara Municipal e nos comunicamos por telefone no falecimento do meu filho. Não tivemos mais a oportunidade de dialogar, após a minha exoneração.

Como você avalia o Governo de Dr. Jean?

O governo até aqui frustrou as expectativas. Existe uma concentração muito grande de poder nas mãos de poucos, o que atrapalha muito a gestão. Os erros estratégicos novamente se repetem. Está cientificamente comprovado que nenhum ser humano consegue fazer mais de duas coisas ao mesmo tempo. Não é possível ter um governo de colisão onde apenas poucos tomam as decisões. O município, como todo o país, atravessa novamente um momento difícil e não assistimos um esforço que nos transmita segurança. Existe também uma grande dificuldade do governo em dialogar com a população.  Hoje tenho uma posição de independência ao atual governo, porém sei das minhas responsabilidades e não faço, como nunca fiz, uma torcida contra. Refuto qualquer tipo de sondagem para participar novamente do atual governo. Dei a minha contribuição na sua construção e quando ainda estava no governo para mudar isso. Agora, proponho aos meus pares na câmara municipal uma agenda clara para a cidade, de sinalização de resolução dos problemas. Acrise para quem tem verdadeiro espírito público não interessa.Não me interessa irresponsavelmente agravar a crise. Eu tenho responsabilidade com a minha cidade, é aqui que os meus filhos vivem. Agora isso não muda a minha opinião sobre o governo. Precisa melhorar. Falta uma agenda positiva. O governo se articula muito mal.

Você acredita em uma possível reeleição do atual prefeito Dr. Jean?

 Ele tem a prerrogativa da reeleição garantida pela constituição até a tão esperada reforma política. E é por esse motivo que irei medesfiliar do PMDB. Apesar de todo o desgaste acredito que ele vai arriscar. Daí até consolidar é outra coisa. Ele não me surpreende mais.Ao meu ver, ele já deu a sua contribuição e deveria se esforçar para chegar ao final de 2016 entregando ao sucessor uma cidade melhor.

O Partido dos Trabalhadores (PT) saiu como vencedor das últimas eleições no município, em 2014. Teve maioria de votos em todas as representações. Qual prognóstico você faz desse fato, já projetando às eleições municipais de 2016?

Realmente o Partido dos Trabalhadores foi o maior vencedor da última eleição, mas para alcançar esse resultado houve um desastre na política econômica do país. Consequência: O povo perdeu para o PT continuar o seu projeto de poder. Conquistas históricas estão sendo perdidas. Inadmissível mexer nos direitos dos trabalhadores. Outro dia fui ao residencial do Programa Minha Casa, Minha Vida na Embira e as pessoas se sentem lesadas por não terem o direito ao cartão para equipar as suas casas. Estudantes estão tendo os seus sonhos da faculdade frustrados pelas dificuldades do FIES. Esse descontrole na economia está sendo sentido na dispensa do povo brasileiro. Paradoxal para um governo de 100 dias. Torço que melhore e as coisas se ajustem, mas é muito difícil, pois, além desses problemas, o partido está mergulhado em uma crise ética sem precedentes. Fico imaginando se alguém terá coragem de exibir nas campanhas eleitorais fotos e o símbolo do PT. 2016 será um divisor de águas para o partido. O discurso petista se esvaziou. Não tem mais como vender esperança, ou melhor, ilusão.

O nome forte do PT municipal ainda é o do ex-prefeito, Orlando Peixoto Pereira Filho, o popular Orlandinho. Durante oito anos, na Câmara Municipal, você fez duras críticas ao ex-prefeito. Como você percebe o nome de Orlandinho nas eleições de 2016?

Ele saiu fortalecido das urnas em 2014.Inegável. Muito pela fragilidade do governo municipal. Um protesto. Sinceramente, devemos reconhecer alguns méritos dos seus oito anosa frente da prefeitura. Todavia, acredito que o modelo político proposto pelo Orlandinho e pelo PT não é mais o que o povo está solicitando. Acompanhei de perto o seu trabalho e posso afirmar que muitos erros da atual gestão não diferem do ex-prefeito. A população quer algo novo e ele não representa isso. Podemos contextualizar também a decadência do seu partido. Os escândalos envolvendo o PT atingem em cheio os seus planos. 2016 não será uma eleição fácil para ninguém. Imagine o PT sem estrela, sem usar o vermelho, tendo que explicar o “PETROLÃO”? Muito complicado. Ninguém vai querer colocar foto ombreado com os figurões do PT. Quero muito enfrentá-lo.

Recentemente o vereador Zé Raimundo (expulso do PT), se aliou a Dr. Jean e fez uma indicação do novo secretário de Desenvolvimento Social. Qual sua avaliação sobre essa situação?

 Diante de tudo o que está havendo, sobretudo, na difícil relação do governo com a câmara, o prefeito encontrou no petista Zé Raimundo uma solução, considerada por muitos desesperada. Eu vejo tudo isso com um certo pessimismo. Tomara que o Pastor Hesrom consiga êxito na sua relação com a gestão para colocar em prática os seus projetos. É um homem preparado, muito embora esteja substituindo uma excelente técnica, Ivana Guerra, que conhece muito de políticas públicas da ação social. A avaliação que eu faço é que muito embora o PT tente desprezar, perdeu um vereador para o governo. Fato. Zé Raimundo não pode se transformar em ruim, após decidir democraticamente abandonar o projeto que ajudou a construir. Agora esse julgamento será feito posteriormente nas urnas. Conheço o sistema e sei que não é o estilo do governo deixar alguém sobressair.


"A
ntes de vencer o prazo fui surpreendido com a minha exoneração"

Criticada durante muitos dos seus discursos quando oposição ao governo de Orlandinho, a saúde teve uma grande perda em sua gestão, que foi o fechamento da Santa Casa. O que realmente provocou essa situação e qual sua avaliação sobre o caso?

As minhas críticas previam que o pior iria acontecer. E aconteceu. Lamentável essa situação da Santa Casa. Trabalhei na instituição. Foi o meu primeiro emprego, mas nunca fui convidado para dar minha contribuição na irmandade. Existe um aparelhamento político que sempre atrapalhou a Santa Casa. E isso se agravou muito nos últimos anos. Lembro que em 2003 quando o grupo do ex-prefeito Orlandinho assumiu a Santa Casa, a instituição vivia uma situação financeira equilibrada, inclusive, com aplicação bancária. Após as eleições de 2004 as coisas passaram a mudar de figura e o hospital perdeu completamente a sua capacidade resolutiva. Em 2012, na iminência de fechar as portas definitivamente, posto que esse processo vem de muito longe como você muito bem lembrou no seu questionamento, após perder a filantropia e todas as certidões negativas, alguns serviços foram terceirizados por uma empresa e outros, como a urgência e emergência, foram transferidos com a abertura da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) que deveria ser instalada dentro da própria Santa Casa, aproveitando o espaço físico e daria um aporte financeiro aquela instituição. Antes outros serviços já haviam sido extintos, como ortopedia e cirurgia geral. Ao assumir a secretaria municipal de saúde me dediquei pessoalmente para que os repasses para a Santa Casa fossem feitos regularmente na tentativa de reverter o caos instalado. E assim foi feito, de 1º de janeiro de 2013 até 10 de julho de 2014 foram repassados para Santa Casa um valor superior a 5 milhões de reais. Em contrapartida, os serviços não eram prestados a população. Um transtorno.Além disso, a instituição estava com sérios problemas com a vigilância sanitária. Levei a situação para o Ministério Público e em reunião ficou pactuado que a Santa Casa sanaria as pendências e no prazo estabelecido pelo promotor seria reaberta ao público, entretanto, antes de vencer o prazo fui surpreendido com a minha exoneração. Não respondo mais pela secretaria de saúde, tão pouco, pelo governo, mas acho que o governo do estado, através da SESAB em parceria com a prefeitura, pode devolver essa importante ferramenta a população de Cruz das Almas.  A começar pelo centro de parto normal que foi fechado logo após as eleições de 2014.

A violência tem tomado conta do nosso País, o que não tem sido diferente em nossa região. Quais são seus projetos para a segurança pública de Cruz das Almas?

A violência é uma questão social que depende de muitas forças para ser solucionada. A municipalidade não possui ferramentas para um enfrentamento ostensivo contra a violência, porém é nosso dever promover políticas públicas de inclusão social, principalmente através de uma educação qualificada. Apesar dos grandes esforços em oportunizar o acesso às universidades é necessário mais investimentos na educação infantil que é à base da formação do cidadão.

Como o senhor avalia o atual cenário político de Cruz das Almas?

A maioria das prefeituras estão enfrentando dificuldades, e aqui não é diferente. Existe um descrédito muito grande da população em relação à classe política, contudo, isso abre uma avenida de oportunidades para que haja uma mudança na forma de governar e fazer política em nosso país. É uma oportunidade ímpar para um novo projeto político e Cruz das Almas está inserida nisso. Eu acredito que será uma eleição diferente, com novas regras e formas de fazer política.

Quero agradecer a valorosa oportunidade e fazer uma alusão aos sete anos do Mídia do Recôncavo. Um dos mais importantes veículos de comunicação da nossa região. Em nome de Anderson Bela gostaria de parabenizar toda a equipe. Esse tipo de entrevista ajuda muito ao processo de democratização. Fui sincero e expressei as minhas ideias de forma muito tranquila e clara. Espero que os seguidores apreciem. 

Por Redação Mídia Reconcavo
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"Ola, tudo bem? Sou Joseane Bonfim e estou fazendo uma pesquisa sobre os blogs da região de SAJ, o Midia Reconcavo se encaixa na categoria de Blog?"
Marcia escreveu para Midiareconcavo
"Parabens ao melhor de todos os sites da regiao. Eu ja estava com saudades da informação de todos os lugares em primeira mao."
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