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Conheça a história do Professor Jânio Roque, símbolo de persistência e conquistas

Publicada em 31/12/2017 ás 08:00:00
Foto: Raul Santos

Nascido em Cruz das Almas e criado em Governador Mangabeira - BA, no Bairro do Portão, Jânio Roque Barros de Castro, é professor adjunto da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), e do Mestrado em Cultura, Memória e Desenvolvimento Regional na referida instituição, Doutor em Arquitetura e Urbanismo e mestre em Geografia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ele concedeu uma entrevista ao Mídia Recôncavo contando sua história, desafios e conquistas, confira:

 

Mídia: Como foi a sua história de vida para chegar ao que se tornou hoje?

Fui criado aqui em Governador Mangabeira, no Bairro do portão, que antigamente era considerado como Zona Rural. Com o tempo a cidade foi crescendo, se tornando um bairro, e um fator determinante para isso foi em 1978 quando iniciou as obras de construção do alojamento da Odebrecht, para a construção da Pedra do Cavalo, fazendo com que essa área rural tornasse mais urbana. Então nasci nesse contexto, filho de pai e mãe lavradores, estudei na Escola Reunidas José Bonifácio, sempre gostei de estudar, de ler, respondia as atividades para além do que os professores explicavam, mas o espaço não era propicio para quem gostava de estudar. Logo depois passei a estudar no Colégio Centro Educacional Cenecista Otávio Mangabeira (CECOM), hoje colégio Viana, e fiz da 5ª ao 3º ano do ensino médio. Eu queria fazer vestibular para ingressar em uma faculdade, mas o curso de magistério era um curso profissionalizante e minha mãe não tinha condições de me colocar em uma escola particular em Cruz, então diante disso, eu cursava magistério em Mangabeira e pegava os cadernos de colegas que estudavam na cidade vizinha para aprender os assuntos que eu não dava. Muitas pessoas falavam: “vestibular não dá para a gente não, mas eu te conheço, tu é ousado, vai meter as caras mesmo”, mas isso me estimulava, pois na minha família por exemplo eu não conhecia ninguém que tivesse ingressado em uma universidade. Perdi meu pai quando eu tinha 12 anos de idade e depois disso, eu tive uma força muito grande de correr atrás do que eu queria.

 

Mídia: E a sua trajetória acadêmica?

Eu tinha três opções de cursos na minha mente, primeiro geografia, a que eu mais gostava e a mais próxima de mim, que era em Feira, depois comunicação social e em terceiro ciências sociais. Foram disponibilizadas 40 vagas e eu passei em 8º lugar, assim começava mais um desafio que era cursar a faculdade. Então estava precisando de um professor para o Colégio CECOM, comecei a trabalhar e com o dinheiro me deslocava para fazer faculdade em Feira de Santana. Eu ordenava as vacas de manhã cedo, levava o leite para vender na padaria, depois ia de bicicleta e a deixava na rodoviária, pegava três ônibus para chegar até a universidade, e a noite eu trabalhava no Edgard Santos. No outro dia começava tudo de novo. Hoje trabalho em uma instituição acadêmica também, na UNEB em Santo Antônio de Jesus há 17 anos.

 

Mídia: Como definir o Professor Jânio Roque?

Uma pessoa que não cruza os braços para se lamentar, nunca fui de me lamentar, eu sempre fui de persistir, de buscar as coisas realmente.

 

Mídia: Porque se interessou pela profissão de professor?

Eu gostava muito de ler, mas eu não me imaginava como professor. Devido à Odebrecht eu tinha na minha cabeça trabalhar com construção civil, quando via os homens botar aquele capacete na cabeça, mas depois vi que não dava para mim. Em 1987 eu fui apresentar um trabalho de ciências na escola, na aula de Professora Vera, quando chegou lá na frente, os colegas começaram a ler no papel, na minha vez, eu comecei a falar, desenhar, encenar, explicando através do livro e a professora no fundo me observando, ao terminar a apresentação ela disse: “Jânio, parabéns, você já pensou em ser professor?”, ai um colega disse: “Jânio a professora está certa, você fala muito bem”, ai foi a partir daí que comecei a pensar, mas nada definitivo. Quando estava no ensino médio que fiz o magistério, eu vi que realmente era isso mesmo que queria para a minha vida, eu gosto de ser professor. Mas quando eu estava na universidade já fiz o concurso da Polícia Rodoviária Federal, passei, fui convocado, mas preferi ser professor.

 

Mídia: Vivemos em uma sociedade que estudar uma outra língua enriquece nossa vida pessoal e profissional. Como foi a sua ida para o Canadá?


O CECOM, antiga rede CNEC, como era comunitária, entrou em contato com um grupo chamado Juventude Canadá Mundo para oferecer um intercâmbio aos estudantes. A professora Rita disse que ia fazer uma seleção com os melhores alunos, e eu não acreditei que pudesse passar diante de todos os alunos da Bahia, mas ir à Salvador fazer a prova já seria algo diferente, uma novidade porque não saíamos para lugar nenhum. Fizemos a seletiva e foram selecionados eu e Naím, então fomos para Salvador. Um dia antes da prova enquanto os alunos estavam se interagindo no pátio, eu sentei no quarto e comecei a ler todo material que a CNEC disponibilizou. Quando foi na etapa final da entrevista, como eu tinha facilidade com comunicação também, me dei super bem, passei em 1º lugar para ir para o Canadá. Lá no intercâmbio a gente ficava em casas de família, e eles eram adaptados a receber a gente e trabalhavamos em projetos sociais e eu fiquei responsável por um ateliê de pinturas para pessoas especiais e foi desafiante, aos 18 anos de idade foi uma experiência incrível, muito rica para minha vida pessoal e profissional.

 

Mídia: O Senhor escreveu um livro “Da casa à Praça Pública”. Como surgiu a ideia do livro? Pretende escrever outro?

Eu sempre gostei de festas populares, participei ativamente das festas juninas e com o tempo vi as festas juninas se transformando. Vi a festa tradicional e vi a transformação sendo muito rápida nos anos 90, então resolvi analisar a questão da espetacularização de festas populares em lugares públicos. Como a festa comunitária virou um grande espetáculo? Por quê? Quais fatores determinaram isso? Então eu sempre tive interesse e achei desafiante. Quando comecei a garimpar sobre o tema, não encontrei muita coisa falando sobre, com isso, tive mais interesse. Nele analiso as festas juninas em cinco dimensões, a festa da casa, a festa da rua, a festa em arenas públicas (megafesta), a festa em arenas privadas e os deslocamentos transregionais. E em relação a escrever outro livro, pretendo sim, desta vez falando sobre o potencial do recôncavo baiano, sobre suas diversas dimensões culturais, ambientais, patrimoniais e também sobre cidades santuários da Bahia.

 

Mídia: Qual a visão do Senhor sobre a importância da leitura, principalmente no mundo atual?

Uma coisa é informação, outra coisa é comunicação. A informação você tem a qualquer momento, como você vai interpretar isso é um grande desafio. As pessoas precisam interpretar melhor as coisas, não apenas ler. A leitura ampla, abrangente é importante para as pessoas interpretarem melhor os fatos, aguçar a criticidade, ter outro olhar sobre as coisas, entender o mundo, não pode ter informações de uma fonte só, é necessário ler varias fontes.

 

Mídia: Como vê a educação hoje comparada ao passado e a educação no futuro?

Teve avanços sim, mas eu me preocupo com alguns discursos que soam retrocesso. Os avanços importantes que foram positivos das politicas públicas para a educação foram a introdução e valorização das culturas afro-brasileiras, a introdução e valorização da cultura indígena, pois o povo brasileiro teve visão de mundo através da cultura europeia e esqueciam da nossa forte influência afro-brasileira. Outra questão importante é a discursão sobre diversidade, sobre gênero e sexualidade. Agora infelizmente existe o retrocesso, ou seja, doutrinação de gênero, o que vejo na educação hoje é muita interpretação errada das coisas. O Brasil é um país machista e racista, agora eu espero que no futuro mantenhamos esses avanços e essas pessoas que tem o pensamento pequeno, mude suas opiniões, principalmente em relação a essas questões que citei aqui, pois é necessário aperfeiçoar esses mecanismos, porque eu tenho escutado discursos de ódio, então a família junto com a escola devem reeducar as pessoas, principalmente desde pequeno.

 

Por Redação Mídia Reconcavo
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